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Ataques baseados em script – Como se prevenir?

 

Os atacantes buscam evitar detecção. Como a maioria dos produtos de segurança de endpoint lida bem com ataques baseados em arquivos, scripts se tornaram uma alternativa eficaz para quem quer passar despercebido. Os ataques baseados em script já representam cerca de 40% de todos os ataques cibernéticos, segundo relatório de segurança de endpoint do Instituto Ponemon.

Os scripts podem ser distribuídos diretamente ou incorporados em documentos Office e PDFs enviados como anexos de e-mail.

Como os atacantes usam os scripts

Os scripts oferecem múltiplas vantagens para quem ataca:

  • Fáceis de escrever e executar
  • Triviais de ofuscar
  • Extremamente polimórficos
  • Executam na memória, evitando detecção de arquivos estáticos

75% dos ataques sem arquivo (fileless) utilizam scripts em pelo menos um estágio do ataque. Os tipos mais comuns são PowerShell, JavaScript, HTA, VBA, VBS e scripts batch.

Exemplo de ataque: o Helminth Trojan (grupo iraniano Oilrig) explorou a vulnerabilidade CVE-2017-0199 em documentos Word, entregando scripts HTA executados via mshta.exe.

PowerShell: uma ferramenta poderosa para o sysadmin e para o atacante

O PowerShell é um framework para gerenciamento de configuração e automação de tarefas, com acesso a Windows Management Instrumentation (WMI) e Component Object Model (COM) — exatamente o que torna essa ferramenta tão útil também para atacantes.

Os atacantes o utilizam para:

  • Carregar malware diretamente na memória
  • Automatizar exfiltração de dados
  • Usar frameworks ofensivos como Metasploit ou PowerSploit

Exemplo: o Cobalt Malware explorou a vulnerabilidade CVE-2017-11882 (RTF), baixando um JavaScript que executava múltiplos scripts PowerShell contendo DLLs maliciosas mantidas apenas em memória.

JavaScript: um convidado indesejado no seu leitor de PDF

JavaScript é a linguagem padrão para scripts web, mas também é suportado por leitores de PDF, que podem executar código JavaScript embutido na máquina da vítima — explorando vulnerabilidades não corrigidas ou recursos legítimos de leitura do próprio software.

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Outros formatos de script usados em ataques

HTA (HTML Application)

Arquivos do Windows executados via Internet Explorer/mshta.exe, combinando HTML com VBScript ou JScript. Rodam com privilégios do usuário local, o que dá acesso ao sistema de arquivos e ao registro do Windows.

VBScript (Visual Basic Scripting Edition)

Linguagem de scripting da Microsoft baseada em VBA, normalmente usada para automação de sistemas, com suporte a codificação no formato VBE — o que dificulta a leitura do conteúdo a olho nu.

Então, devo permitir a execução de scripts na rede da minha organização?

A lógica maliciosa desses ataques ocorre em memória, o que torna a análise de arquivos estáticos, sozinha, insuficiente. Algumas recomendações práticas:

1. Segmente os usuários por necessidade real de script

  • Quem executa scripts diariamente, como parte do trabalho
  • Quem executa scripts raramente
  • Quem não deveria executar scripts em nenhuma hipótese

2. Aplique controles de segurança específicos

  • Permita a execução de scripts apenas a partir de locais com acesso restrito a leitura
  • Restrinja e monitore o uso interativo do PowerShell (Constrained Language Mode, logging de módulos e de blocos de script)
  • Reforce boas práticas gerais de TI: privilégio mínimo, patching em dia e segmentação de rede

3. Invista em detecção comportamental

A análise de assinatura estática não é suficiente contra scripts polimórficos que rodam em memória. Vale priorizar soluções de segurança de endpoint com análise comportamental contextual de script — capazes de identificar comandos PowerShell maliciosos e de sinalizar quando um script dá origem a processos filhos suspeitos a partir de aplicações comuns como Word ou Outlook, mesmo sem uma assinatura conhecida.

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Conclusão

Ataques baseados em script exploram exatamente o ponto cego das defesas tradicionais focadas em arquivo: eles não deixam um binário malicioso parado no disco para ser escaneado. Segmentar o uso de scripts por perfil de usuário, restringir e monitorar ferramentas como o PowerShell, e complementar isso com detecção comportamental reduz bastante a superfície de ataque — sem exigir que a organização abra mão completamente de uma ferramenta legítima e amplamente usada por administradores.

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