Os scripts podem ser distribuídos diretamente ou incorporados em documentos Office e PDFs enviados como anexos de e-mail.
Como os atacantes usam os scripts
Os scripts oferecem múltiplas vantagens para quem ataca:
- Fáceis de escrever e executar
- Triviais de ofuscar
- Extremamente polimórficos
- Executam na memória, evitando detecção de arquivos estáticos
75% dos ataques sem arquivo (fileless) utilizam scripts em pelo menos um estágio do ataque. Os tipos mais comuns são PowerShell, JavaScript, HTA, VBA, VBS e scripts batch.
Exemplo de ataque: o Helminth Trojan (grupo iraniano Oilrig) explorou a vulnerabilidade CVE-2017-0199 em documentos Word, entregando scripts HTA executados via mshta.exe.
PowerShell: uma ferramenta poderosa para o sysadmin e para o atacante
O PowerShell é um framework para gerenciamento de configuração e automação de tarefas, com acesso a Windows Management Instrumentation (WMI) e Component Object Model (COM) — exatamente o que torna essa ferramenta tão útil também para atacantes.
Os atacantes o utilizam para:
- Carregar malware diretamente na memória
- Automatizar exfiltração de dados
- Usar frameworks ofensivos como Metasploit ou PowerSploit
Exemplo: o Cobalt Malware explorou a vulnerabilidade CVE-2017-11882 (RTF), baixando um JavaScript que executava múltiplos scripts PowerShell contendo DLLs maliciosas mantidas apenas em memória.
JavaScript: um convidado indesejado no seu leitor de PDF
JavaScript é a linguagem padrão para scripts web, mas também é suportado por leitores de PDF, que podem executar código JavaScript embutido na máquina da vítima — explorando vulnerabilidades não corrigidas ou recursos legítimos de leitura do próprio software.
Outros formatos de script usados em ataques
HTA (HTML Application)
Arquivos do Windows executados via Internet Explorer/mshta.exe, combinando HTML com VBScript ou JScript. Rodam com privilégios do usuário local, o que dá acesso ao sistema de arquivos e ao registro do Windows.
VBScript (Visual Basic Scripting Edition)
Linguagem de scripting da Microsoft baseada em VBA, normalmente usada para automação de sistemas, com suporte a codificação no formato VBE — o que dificulta a leitura do conteúdo a olho nu.
Então, devo permitir a execução de scripts na rede da minha organização?
A lógica maliciosa desses ataques ocorre em memória, o que torna a análise de arquivos estáticos, sozinha, insuficiente. Algumas recomendações práticas:
1. Segmente os usuários por necessidade real de script
- Quem executa scripts diariamente, como parte do trabalho
- Quem executa scripts raramente
- Quem não deveria executar scripts em nenhuma hipótese
2. Aplique controles de segurança específicos
- Permita a execução de scripts apenas a partir de locais com acesso restrito a leitura
- Restrinja e monitore o uso interativo do PowerShell (Constrained Language Mode, logging de módulos e de blocos de script)
- Reforce boas práticas gerais de TI: privilégio mínimo, patching em dia e segmentação de rede
3. Invista em detecção comportamental
A análise de assinatura estática não é suficiente contra scripts polimórficos que rodam em memória. Vale priorizar soluções de segurança de endpoint com análise comportamental contextual de script — capazes de identificar comandos PowerShell maliciosos e de sinalizar quando um script dá origem a processos filhos suspeitos a partir de aplicações comuns como Word ou Outlook, mesmo sem uma assinatura conhecida.
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Conclusão
Ataques baseados em script exploram exatamente o ponto cego das defesas tradicionais focadas em arquivo: eles não deixam um binário malicioso parado no disco para ser escaneado. Segmentar o uso de scripts por perfil de usuário, restringir e monitorar ferramentas como o PowerShell, e complementar isso com detecção comportamental reduz bastante a superfície de ataque — sem exigir que a organização abra mão completamente de uma ferramenta legítima e amplamente usada por administradores.
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