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Shadow AI: os funcionários que criam apps com IA sem a TI saber

Shadow AI já não é só sobre colar dados no ChatGPT. Hoje é sobre o gerente de marketing que monta um painel de campanhas, o líder de operações que automatiza o cadastro de fornecedores ou o financeiro que prepara um dashboard para a reunião do conselho. Afinal, há dois anos, cada um desses pedidos virava um chamado para a TI e uma espera de meses. Hoje, em vez disso, vira um aplicativo funcionando antes do almoço.

Isso acontece porque existe o vibe coding: plataformas de IA em que qualquer pessoa descreve o que quer em linguagem comum e recebe um app pronto, publicado na internet com um clique. Ou seja, é útil, é rápido e não vai embora. Por outro lado, o problema é justamente o que acontece depois do clique.

Foi exatamente esse risco que uma pesquisa publicada pela Red Access em maio de 2026 mapeou em escala global. Nesse caso, vale destacar, não houve invasão: tudo o que os pesquisadores encontraram já estava acessível a qualquer pessoa com um navegador.

Em resumo

  • 380 mil apps expostos — a pesquisa encontrou mais de 380 mil aplicações web publicadas em plataformas de vibe coding. Cerca de 5 mil foram criadas para uso corporativo, e 2 mil delas (40%) continham dados sensíveis sem controles básicos de segurança.
  • Funcionários, não hackers — quem cria o risco não é um atacante. São funcionários competentes resolvendo problemas reais, que a pesquisa chama de shadow builders.
  • Ponto cego do stack — EDR, DLP, CASB e firewall veem pedaços da atividade, mas nenhum deles enxerga o app inteiro. Tudo acontece dentro da sessão do navegador.

De Shadow IT para Shadow AI

Esse problema de colar dados em ferramentas de IA continua existindo, mas não é mais o único. O que a pesquisa mostra, além disso, é algo mais profundo: funcionários construindo aplicações com IA, conectando-as a sistemas de produção e publicando-as na internet. Em outras palavras, a conversa saiu do prompt e virou produto.

A diferença para o Shadow IT, porém, é grande. No Shadow IT, o time de marketing contratava um SaaS sem avisar a TI, mas os dados ficavam dentro de um fornecedor conhecido, com identidade e logs. Já no Shadow AI, o app é feito sob medida, os dados são carregados pelo próprio funcionário e as integrações vão direto ao CRM, ao ERP e ao BI da empresa. Ou seja, a plataforma pode até ser auditada, mas o app criado em cima dela, não.

O que a pesquisa sobre Shadow AI encontrou

No total, a exposição apareceu em seis continentes e em todos os setores analisados: serviços financeiros, saúde, governo, educação, varejo, indústria, logística, consultoria e software. Entre os casos, por exemplo, estão um painel financeiro ao vivo de um dos maiores bancos da América Latina e dados de profissionais de saúde ligados a um grande sistema nacional de saúde.

Os casos se dividem em quatro tipos:

Tipo de exposição O que estava aberto Exemplo da pesquisa
Sistemas operacionais ao vivo Dashboards e portais conectados a Power BI, Jira e Notion, com dados em tempo real Painel financeiro de um grande banco da América Latina
Dados pessoais regulados Informações sujeitas a leis como GDPR e HIPAA, sem controle de acesso nem trilha de auditoria Nomes e telefones de médicos de um fornecedor do sistema de saúde
Documentos estratégicos Planos comerciais, estudos para clientes e estratégia competitiva Análise preparada por um fornecedor, com volumes e taxas de um cliente
Credenciais e acesso de administrador Chaves de API expostas e apps que dão perfil de admin a quem abre o link Ferramenta interna de atendimento chamada “Admin Panel”, com histórico de conversas
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Além disso, um detalhe importa especialmente para empresas grandes: parte da exposição não veio dos próprios funcionários, mas de fornecedores e parceiros que criaram ferramentas com dados do cliente.

No Brasil, os dados pessoais desse segundo tipo estão sob a LGPD. Portanto, um app desses aberto na internet já é um incidente de segurança com dados pessoais, mesmo que ninguém tenha “invadido” nada.

Como um app de Shadow AI vira um vazamento, em cinco passos

Na prática, a maior parte dos shadow builds fica pronta em menos de um dia. Vale notar que nenhum dos passos exige que o funcionário faça algo errado: a exposição é, na verdade, a soma de cinco decisões razoáveis:

  1. Intenção — um problema real para resolver: “preciso de um painel para o time”.
  2. Construção — o funcionário descreve o app em linguagem comum e vai ajustando. Autenticação e controle de acesso raramente entram na conversa.
  3. Conexão — é aqui que o projeto pessoal vira risco para a empresa. O app passa a ler dados do BI, do CRM ou de uma planilha colada no chat.
  4. Publicação — um clique, uma URL pública, sem aprovação nem revisão de segurança.
  5. Acesso — a própria URL vira a credencial. Em vários casos, o link estava indexado no Google e dava acesso de administrador a quem o abria.

Os passos 1 e 2, afinal, são produtividade pura, e você não quer bloqueá-los. Já os passos 3, 4 e 5 são onde a segurança precisa enxergar e agir.

Por que o seu stack de segurança não vê o Shadow AI

A maioria das empresas já tem EDR, DLP, CASB, firewall e, às vezes, SSE. Cada ferramenta, isoladamente, faz bem o seu trabalho. Ainda assim, o Shadow AI fica justamente no espaço entre elas.

Camada O que vê O que não vê
Dispositivo (EDR) Um processo de navegador rodando Que esse navegador está publicando um app com dados da empresa
Rede (firewall e SSE) Acesso ao domínio da plataforma Que um subdomínio específico é um app com dados de clientes
Catálogo SaaS (CASB) A plataforma de vibe coding Os milhares de apps criados dentro dela
Canal (DLP) Uploads para destinos conhecidos A conexão OAuth que liga o app ao CRM
Navegador gerenciado O que acontece na sessão Notebooks pessoais, de terceiros e BYOD
Sessão Todo o caminho, em qualquer navegador e dispositivo —

Não é falta de investimento. Na verdade, é que os sinais ficam espalhados: um log no firewall, uma autorização OAuth aqui, um upload ali. Como resultado, ninguém junta as peças.

Os atacantes também estão usando vibe coding

Além do risco interno, a pesquisa também encontrou páginas de phishing hospedadas nas próprias plataformas de vibe coding, imitando Bank of America, FedEx e Costco. Como herdam o domínio legítimo da plataforma, essas páginas passam pelos filtros de reputação de e-mail e web.

Diante disso, o risco seguinte já tem todas as condições para acontecer: um e-mail que parece vir de um colega, dizendo “criei uma ferramenta de IA para o time, faça login para usar”. Como apps internos realmente circulam assim hoje, o funcionário não desconfia. Ou seja, é phishing que não parece phishing, justamente porque parece trabalho.

Sua empresa está exposta ao Shadow AI? Cinco perguntas

Por isso, se alguma resposta for um chute, o risco provavelmente já está no seu ambiente.

  1. Você sabe quais plataformas de vibe coding estão em uso, inclusive em contas pessoais, por terceiros e por fornecedores?
  2. Dos apps já criados, você sabe quais estão conectados a sistemas da empresa, e por qual caminho (OAuth, chave de API, upload manual)?
  3. Você sabe quais desses apps estão abertos na internet, sem exigir login da empresa?
  4. Se alguém compartilhar amanhã um link de “app que eu criei” no Teams ou no e-mail, o seu time saberia dizer se é real?
  5. Se um app desses já estiver expondo dados, como você descobriria antes de virar um incidente?
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O que fazer a partir de segunda-feira

A pesquisa propõe cinco frentes, em ordem:

  1. Descobrir o que já existe (esta semana) — peça aos times que informem os apps que criaram com IA. Deixe claro que não é auditoria, é inventário.
  2. Mapear conexões e exposição (semanas 1 e 2) — para cada app, registre a que sistema ele se conecta, como, e se está aberto na internet. Os apps públicos são os primeiros a revisar.
  3. Definir regras e um caminho oficial (semanas 2 a 4) — quais plataformas são permitidas, que dados podem entrar nelas e que login é obrigatório. E um canal simples para o funcionário registrar o que criou.
  4. Incluir fornecedores e parceiros (semanas 4 a 8) — coloque vibe coding no questionário de risco de terceiros e avise formalmente quem trabalha com os seus dados.
  5. Manter a visibilidade (contínuo) — o inventário deste mês estará incompleto no mês que vem. O que funciona é descoberta contínua, não um levantamento único.

Onde a Red Access entra no combate ao Shadow AI

Todo o caminho de um shadow build acontece no navegador: abrir a plataforma, digitar o prompt, autorizar a conexão com o CRM, colar os dados e clicar em publicar. Por isso, o ponto que vê tudo é a sessão do usuário.

A Red Access atua exatamente nessa camada, sem instalar agente e sem trocar o navegador. Na prática, ela:

  • Mostra o uso de IA — quais plataformas de IA e de vibe coding o time usa, e por quem.
  • Bloqueia o envio de dados sensíveis — impede que dados pessoais, financeiros e código sejam colados ou enviados para ferramentas de IA.
  • Bloqueia o que não foi liberado — impede o uso de plataformas de IA não liberadas e de contas pessoais.
  • Bloqueia phishing — detecta páginas falsas, inclusive as hospedadas em domínios legítimos.
  • Vale para qualquer dispositivo — funciona em qualquer navegador e também em notebooks de terceiros e BYOD.

Ainda assim, a definição das regras continua sendo do time de segurança — a Red Access apenas dá a visibilidade e o bloqueio no lugar onde o risco de fato acontece.

Perguntas frequentes

O que é Shadow AI?

É o uso de inteligência artificial fora do controle da área de segurança. Hoje inclui tanto colar dados em ferramentas de IA quanto criar aplicativos com IA, conectá-los a sistemas da empresa e publicá-los sem aprovação.

O que é vibe coding?

É criar um aplicativo descrevendo o que você quer em linguagem comum para uma plataforma de IA, sem escrever código. O app costuma ser publicado com um clique, em um endereço público da própria plataforma.

Quem são os shadow builders?

São funcionários, fornecedores ou parceiros que criam apps com IA para resolver problemas do dia a dia, sem envolver a TI. Não agem de má fé: estão sendo produtivos.

Bloquear as plataformas de vibe coding resolve?

Não sozinho. Os funcionários usam contas pessoais e dispositivos próprios, e os apps já publicados continuam no ar. O caminho é descobrir o que existe, definir regras e manter visibilidade contínua.

Isso tem relação com a LGPD?

Sim. Um app aberto na internet com dados pessoais de clientes, pacientes ou funcionários é um incidente de segurança com dados pessoais, mesmo sem invasão.

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Fonte: Red Access Research, “The Shadow Builders Inside Your Organization”, volume 01, maio de 2026.

 

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